Bocha Paralímpica

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BOCHA

O jogo de bocha tornou-se um Esporte Paralímpico em 1984 e já está sendo praticado em mais de cinqüenta países em todo o mundo. Tem como principal característica, oportunizar a prática por pessoas que apresentam grau severo de comprometimento motor e/ou múltiplo. No Brasil a modalidade é organizada pela ANDE – Associação Nacional de Desporto para Deficientes, e internacionalmente, pela BISFed. É reconhecida sua origem na Grécia, quando havia a prática de lançar grandes pedras em uma pedra alvo menor, mas somente na década de 70 esteesporte foi resgatado pelos países nórdicos com o fim de adaptá-lo para pessoas com deficiência.

No início era voltado apenas para pessoas com paralisia cerebral, com um severo grau de comprometimento motor (os quatro membros afetados e o uso de cadeira de rodas). Atualmente, pessoas com outras deficiências também podem competir, desde que inseridas em classe específica e que apresentem também o mesmo grau de deficiência exigida e comprovada. Ex: Distrofia Muscular Progressiva, Acidente Vascular Cerebral (A.V. C), ou dano cerebral com função motora progressiva.

A bocha é um jogo competitivo que pode ser jogado individualmente, em duplas ou em equipes e todos os eventos podem ser mistos – homens e mulheres competem juntos e igualmente. A sua finalidade principal é a mesma do bocha convencional; ou seja, encostar o maior número de bolas na bola branca alvo, também denominada Jack.

São utilizadas 13 bolas: 6 azuis, 6 vermelhas e 1 branca, confeccionadas com fibra sintética expandida e superfície externa de couro. Seu tamanho é menor que o de bocha convencional e o peso é de, aproximadamente, 280 gramas. O árbitro utiliza para sinalizar ao jogador, no início de um lançamento ou jogada, um indicador de cor vermelho/azul, similar a uma raquete de tênis de mesa. Para medir a distância das bolas coloridas da bola alvo, é utilizada uma trena ou com compasso. A habilidade e a inteligência tornam-se fundamentais no desenvolvimento das jogadas, assistindo-se muitas vezes a um verdadeiro espetáculo de alternância da vantagem, pela aplicação de técnicas e táticas adequadas e desenvolvidas a cada circunstância.

No Brasil, o jogo de bocha ficou conhecido a partir de 1995, quando dois atletas participaram dos Jogos Parapanamericanos de Mar Del Plata, consagrando-se campeões na modalidade. Em junho de 1996, dando prosseguimento ao Programa de Fomento Esportivo, a Associação Nacional de Deporto para Deficientes – ANDE, lançou o Projeto “Boccia Para Portadores de Paralisia Cerebral Severa”, em Curitiba, onde se fizeram representar cinco estados: Paraná, com duas entidades; Rio de Janeiro, com cinco entidades e Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo com uma entidade cada. Para os competidores de elite, que participam de Campeonatos Internacionais, as competições obedecem a um ciclo de quatro anos. A cada ano é realizado um grande evento internacional, acontecendo em um ano o Campeonato da Europa e o Parapanamericano, seguidos do Campeonato Mundial, Campeonato da Copa do Mundo e por último dos Jogos Paralímpicos. As regras do jogo de bocha são determinadas pela CP-ISRA e são revisadas a cada quatro anos, normalmente logo após as Paralimpíadas.

A Bocha Paralímpica é dividida em 4 classes, de acordo com o grau da deficiência:

Classe BC 1 – Destinada apenas para atletas com paralisia cerebral, que podem jogar com as mãos ou com os pés. Podem ter um auxiliar para entregar a bola. É permitido um auxiliar.

Classes BC2 e BC4 – Para os atletas BC2 e BC4, não é permitido nenhum tipo de ajuda externa. O que ocorre com frequência é a adaptação de um suporte ou cesto para as bolas, fixos ou não na cadeira de rodas, de modo que facilite ao atleta no momento de pegar as bolas para arremessar. Isso é muito utilizado em atletas da classe BC4 com lesão medular e com grande comprometimento nos membros superiores.

A principal diferença entre atletas das classes BC2 e BC4, é que na classe BC2 o atleta apresenta quadro de paralisia cerebral e na classe BC4 o atleta apresenta qualquer outro quadro de origem não cerebral (distrofia muscular progressiva; esclerose múltipla; Ataxia de Friedrich; lesão medular com tetraplegia), mas com o grau de comprometimento similar ao da classe BC2.

Classe BC3 – É o atleta de bocha que apresenta maior grau de comprometimento motor. São elegíveis para esta categoria atletas com paralisia cerebral e de condições similares, com origem não cerebral. O jogador é assistido por uma pessoa que tem como função direcionar a calha (dispositivo auxiliar), pela qual a bola será lançada, seguindo rigorosamente as indicações do jogador (de acordo com a direção que o atleta indicar).

Fonte: Ande – Associação Nacional de Desporto para Deficientes

http://www.ande.org.br/bocha-p-pessoas-com-paralisia-cerebral-severa/